terça-feira, 24 de março de 2026

Piauí poderá ter 1º paciente tratado com polilaminina após lesão na medula

Um paciente que perdeu o movimento das pernas após um acidente de motocicleta, em Parnaíba, pode se tornar o primeiro do Piauí a receber a polilaminina, medicamento experimental com potencial de regenerar lesões na medula espinhal, mas aguarda transferência para Teresina para realizar exames dentro do prazo necessário para o tratamento.

Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (HEDA) informou, por meio de nota, que o paciente está estável, consciente e recebe toda a assistência necessária. Segundo a unidade, após avaliação por neurocirurgião, foi indicada a transferência para um hospital de alta complexidade em Teresina, referência para o procedimento cirúrgico.

Ainda de acordo com o hospital, a transferência já foi solicitada à Central de Regulação e o paciente ocupa a primeira posição na fila, aguardando a liberação de vaga. A unidade destacou que a remoção será realizada com segurança assim que houver disponibilidade. Confira a nota na íntegra ao fim da reportagem.

Entenda o caso

Antonio Luis Alves está internado no Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (HEDA) desde o acidente e sofreu uma lesão na altura da vértebra T6, o que causou paralisia dos membros inferiores. Ele precisa ser transferido para Teresina, onde deve realizar uma ressonância magnética, exame essencial para definir se poderá receber a medicação.

A possibilidade de uso da polilaminina surgiu após uma mobilização iniciada pela médica veterinária Raissa Alves, da Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar), que é próxima do paciente e já acompanhava estudos sobre a substância.

“Esse estudo começou em cães, e eu já conhecia. Quando soube do caso, liguei uma coisa à outra e fui em busca dessa possibilidade”, relatou.

Segundo ela, houve contato com a pesquisadora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), responsável pelo desenvolvimento da polilaminina, que se dispôs a enviar a medicação sem custos, caso haja indicação médica.

No entanto, o uso do medicamento depende de um laudo que ainda não foi emitido.

“O paciente não conseguiu realizar a ressonância em Parnaíba, e estamos aguardando a regulação para Teresina para conseguir esse exame e o laudo”, explicou.

De acordo com Raissa, o tempo é um fator decisivo para que o paciente possa ter acesso ao tratamento. “Sem a transferência, o paciente pode perder a janela de tempo necessária para receber o tratamento”, afirmou.

Ela acrescenta que, sem a transferência, não é possível concluir a avaliação médica nem formalizar o pedido da medicação.

“Precisamos do laudo e da solicitação médica para encaminhar ao laboratório. Sem isso, não conseguimos avançar”, disse.

A professora informou ainda que o paciente já teria indicação cirúrgica e que, caso a lesão completa seja confirmada após o exame, ele pode atender aos critérios para uso do medicamento.

Entenda o medicamento

A polilaminina é uma substância derivada da laminina, proteína produzida naturalmente pelo organismo. Pesquisas indicam que ela pode ajudar na regeneração das células da medula espinhal, favorecendo a reconexão dos neurônios após lesões graves.

O medicamento ainda está em fase de estudos clínicos e não possui liberação ampla para uso, sendo aplicado em casos específicos, mediante indicação médica.

No Brasil, pacientes já conseguiram acesso à substância por meio de decisões judiciais, principalmente em casos graves de lesão medular.

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